domingo, 27 de maio de 2018

O que você sabe sobre Orisas na Tradição Religiosa Yoruba?

                                                                                                  Faseyi Dada


           Sou Faseyi Dada, Ojele do Templo de Obatala de Ile Ife e moro aqui em São Paulo. Em momento anterior tratamos aqui no nosso BLOG sobre nossos oráculos do Povo Yoruba. Já tratamos um pouco sobre Obatala, das Orisas Aje e Osun e outros assuntos importantes para a minha Religião Tradicional Yoruba. Ainda pouco conhecida pela maioria da população brasileira, a nossa Tradição Religiosa Yoruba é vasta em orações dedicadas aos Orisas (leia-se Orixás em português). Meu povo yoruba costuma sistematicamente, diariamente e de forma muito intensa cultuar muitos Orisas. Nossos Orisas são diversos, inúmeros. Alguns conhecidos nos países em que os nossos antepassados viveram escravizados, no período da colonização, deixando infinitas marcas nas culturas de vários países no continente americano: Brasil, Estados Unidos, Trinidad e Tobago, Cuba, Venezuela, entre tantos outros países. E no meu país, Nigéria, cultuamos ainda muitos outros orisas que ainda não são amplamente difundidos nestes países.


Cada tradição é um universo em particular com suas imensas diferenciações. Cada tradição religiosa reúne suas diferenças. Mas isso não impede que estejam interligadas. Serem diferentes não justificam atitudes de intolerância, desrespeito, longas comparações para formas de cultuar distintas, zombaria e certezas de superioridades indevidas de uma visão particular com outras desconhecidas. Bom, respeito é muito bom....assim aprendemos com nosso ancestrais. Diferentes sim, mas isso não impede que sejam respeitadas. É preciso entender que a visão yoruba, assim como vivemos na Nigéria, não é nem completamente igual e nem totalmente distinta de outras formas de culto aos Orisas em outras partes do mundo. Aprendemos a respeitar nossas diferenças. E acreditamos que aquilo que é central ao culto de um Orisa pode ser periférico para outro. Assim convivemos com bastante respeito e de forma amistosa intensamente. Não esperem de nós, povo yoruba, uma atitude diferente. Evitamos rivalidades diante de nossas pequenas ou imensas diferenças dos nossos cultos com aqueles estabelecidos na diáspora, nos países onde viveram os nossos ancestrais nos tempos tirânicos dos colonizadores americanos.


Como criador, Olodumare é chamado de Eleda (Eda = criador). No seu processo de criação, Olodumare se divide e se torna um ser múltiplo através de suas inúmeras criaturas. Olodumare em sua forma pura não pode ser percebido pelos sentidos ou compreendido pela inteligência. Isso explica o fato D'Ele não receber quase nenhuma adoração direta e oferendas.Tudo a ser oferecido ou as orações para Olodumare são através dos Orisas. Mas, como Eleda/criador, podemos começar a entendê-lo. Os Orisas são partes representativas de Olodumare. Cada Orisa é o universo visto de outro ângulo, de um jeito particular, de uma forma singular. Olodumare é a soma total de todas as complexidades, Olodumare/Deus é o universo visto de outro ângulo. Olodumare é o universo concentrado em uma inteligência. Olodumare é a força da qual tudo emerge e/ou a convivência de todas as complexidades.


Assim, Obatala pode ser entendido como Orisa da criatividade e ao mesmo tempo como a criatividade de Olodumare. Osun pode ser entendida como a Orisa da beleza, e como a força encantadora de Olodumare. Orunmila como o Orisa da sabedoria e a encarnação da sabedoria de Olodumare. Esu pode ser visto como o Orisa da transformação e da comunicação, e como a encarnação do imprevisível poder transformador e comunicativo (ASE) de Olodumare/Deus.





Nós, yorubas, não entendemos os Orisas como potências divinas raras. Sabemos que eles viveram na minha cidade Ile Ife, aprendemos com nossos relatos orais/narrativas orias que eles desceram para este mundo aqui onde vivemos. E mais especificamente viveram na África, na Nigéria, chegaram inicialmente na minha cidade Ile Ife e foram fundando outras cidades onde viveram: Osogbo, Ekiti, Oyo, Edé, entre outras cidades nigerianas. Assim são hoje homenageados com festivais nestas cidades e lá encontramos seus templos e seus sacerdotes. E ainda foram homenageados com seus os nomes em estados nigerianos: Estado de Osun (onde ficam as cidades de Osogbo e o bosque da Orisa Osun, onde está a minha cidade e o nosso Templo de Obatala de Ile Ife), Estado de Ogun (onde ficam as cidades de Lagos, Abeokuta e outras). Não duvidamos que os orisas tenham vivido como seres humanos e tenham deixado vasto legado.




Além disso, as fileiras de Orisa não estão fechadas, mas podem ser atualizadas por seres humanos excepcionais. Podem surgir novos Orisas. Existem pessoas cujos ORIS foram criados de forma tão mais especial diante daqueles ORIS criados para seus contemporâneos. E podem um dia serem conhecidos como Orisas. E a história yoruba revela alguns importantes governantes do povo yoruba e que se tornaram orisas cultuados hoje na Nigéria: Oduduwa, Oramyan e outros. Eles fizeram boas obras para o povo yoruba enquanto estavam na terra como homens especiais e com uma missão importante para cumprir. Voltaram para suas moradas espirituais e aqui são lembrados, cultuados e recebem orações e oferendas.



Os seres humanos tornam-se Orisas. Não todos os seres humanos. Mas aqueles mais sábios e que fizeram boas e grandes obras enquanto estava na Terra. Portanto, ele são lembrados e adorados após a morte deles. Apenas os sábios são adorados. Os seres humanos tornam-se Orisas.Os Orisas estão firmemente sob o domínio de Olodumare, cujo reinado moral/ético é tão certo e natural como a lei física. A justiça de Olodumare é impessoal, a punição/ penitência redentora, resultado natural da ofensa. Os Orisas Yorubas são mantidos nas mesmas leis naturais de justiça que eles importam. No universo moral/ético Yoruba, os deuses amam o bem porque é bom, porque está de acordo com a natureza de Olodumare, o árbitro supremo do certo e do errado.




A diversidade dos relatos orais tradicionais do povo yoruba sobre os Orisas é imensa. Os versos estritamente memorizados carregam um corpo de oração e oferendas vivas e dinâmicas a serem oferecidas aos nossos Orisas. Nós, sacerdotes yorubas, memorizamos, recitamos e transmitimos nossas narrativas As histórias contidas em nosso corpus oral sobre Orisas vão sendo narrados e recontados, revisados e reinventados todos os dias por nós, povo yoruba. Traduzimos em outras línguas em espanhol, português, inglês e outras. Quando eu cheguei aqui no Brasil em 2014, observei que em algumas das religiões afrobrasileiras os Orisas eram identificados com os santos católicos, da tradição cristã dos colonizadores portugueses. Comemoram Ogun no dia de um santo católico chamado São Jorge. Comemoram Oxalá na figura do Senhor do Bonfim da Bahia, que é Jesus. A Santa Bárbara católica é lembrada e relacionada a Oya. Osoosi é lembrado no dia de São Sebastião. Não vou aqui comentar sobre as semelhanças que as pessoas encontram entre os seus santos católicos e os nossos Orisas. Respeito profundamente as diferenças!

E fiquei refletindo sobre alguma semelhança possível e que possa ajudar as pessoas criadas no catolicismo a entender a nossa devoção aos orisas na Nigéria, além de dessemelhanças entre as histórias dos santos católicos e de nosso Orisas. Eu entendi que os santos católicos possuem uma função essencialmente intercessora, em suas adorações cristãs ou no catolicismo praticado pelo povo brasileiro. E tão ricamente aproximados da vida do povo como eu vi nas festas juninas aqui em São Paulo, no culto às crianças nas festas de dois santos católicos Cosme e Damião, nas festas de Folia de Reis que fui convidado a participar em Campinas. Tanta festa, canções, instrumentos musicais e devoção aos santos católicos. E suspeito que essa é uma coincidência. Não que orisas sejam parecidos com tais santos. Mas a intensa devoção, dedicação e amor que nutrimos aos orisas e vi aqui semelhante no Brasil com os santos católicos. As longas horas de caminhadas até o santuário de Aparecida são provas de profundo amor e dedicação cotidiana dos católicos. Assim também acontece com nossos Orisas. Nós temos uma dedicação intensa à eles.

Embora a intensa dedicação popular aos cultos dos santos católicos tenha uma série de semelhanças com as nossas intensas horas de dedicação aos Orisas, não duvidem que são doutrinamente bastante distintos. Os Orisas ocupam um papel central na adoração, Veneração e na resolução dos problemas comuns a existência humana, entre nós, yorubas. Nos nossos relatos orais yorubas e em língua yoruba aprendemos a entender situações existências dos Orisas e passadas nos tempos em que estes viveram aqui na Terra. Entendemos as mensagens simbólicas que nossos relatos orais nos trazem.
E ao ouvir relatos em que os Orisas agem com falhas próximas aos nosso erros humanos, refletimos sobre os que podemos apreender de tais relatos para nossas vidas. Já os santos católicos nunca parecem se comportar assim com seus tropeços humanamente , pelo menos não após a conversão. Relatos/narrativas dos nossos Orisas exigem um tipo diferente de interpretação de textos/relatos orais sagrados. Com tais relatos dos feitos dos Orisas aprimoramos as nossas caminhadas terrenas e aceitamos tabus, regulações e concetiosmorais facilitadores da convivência com nossos semelhantes, Nossas narrativas orais ão saberes essenciais para lidar com nossos sentimentos humanos e solucionar impasses.



Nossos Orisas aparecem nos relatos orais descritos como realidades espirituais que habitam o mundo espiritual e viveram na Terra. E também como pessoas ligadas à terra que experimentaram as vicissitudes da existência humana e viajaram por nossas paisagens familiares, especialmente na cidade onde nasci e onde cresci, a cidade nigeriana, Ile-Ife. Os lugares associados aos nossos Orisas são especiais devido ao fato de terem abrigado os nossos Orisas e são freqüentemente o local de santuários e peregrinação (Osogbo onde viveu Osun, Ilé-Ifè onde viveram muitos Orisas, incluindo Obatala). Orisas têm histórias e personalidades distintas, estão associados a certos fenômenos naturais (água doce ou salgada, fogo, vento, trovão e ferro).



Admiramos suas virtudes, as formas como viveram os nossos orisas e seus feitos nesta passagem pela Terra. Levamos em conta tais atitudes deles nos nossos cotidianos. E eles nos inspiram cotidianamente. Nossos Orisas são exemplos morais/éticos para nossas vidas. Costumamos realizar consultas oraculares diante de uma decisão importante. E assim,através da consulta oracular, aproximamos-nos dos nossos Orisas de nossos impasses e buscamos soluções neste diálogo.

 Estamos bem longe de ser Obatala, somos muito menores que os nossos Orisas, queremos sempre procurar ser mais semelhantes aos Orisas que cultuamos. Levamos os dias em uma luta imensa para ser mais parecidos com nosso orisas, ninguém pode ser igual, mas todos nós estamos tentando. O que acreditamos na cultura yoruba é que os Orisas existem para nós, os humanos. Não teriam sentido se não fossem para auxiliar nossas existências. E pode parecer estranho afirmar que os Orisas dependem do homem para a sua existência. Mas pensamos assim! São temporariamente e existencialmente anteriores às nossas vidas contemporâneas e muito mais poderosas que nossas existências. Para nós, povo yoruba, os Orisas realmente existem, são divindades poderosas e seus poderes são reais. Somos mutualmente dependentes, eles de nós e nós deles. Cuidamos diariamente de nossos Orisas, fazemos nossas orações diante de nossos igbas/assentamentos. Fazemos oferendas, limpamos os assentamentos. Amamos todos estes serviços. Orisas são superiores em suas potências, mas precisam de nossas atenções e carinhosos cuidados. E nós precisamos deles. Somos mutualmente dependentes. Olodumare nos deu a potência de cuidar dos orisas com nossas mãos. Os Orisas desceram e encarnaram para uma vida provisória em nossos atuais lugares sagrados de culto em nossas cidades na Nigéria. Nossos relatos orais são narrados para que conheçamos estas passagens deles pela Terra. Os Orisas, em geral, permanecem distintos de nós e subordinados a Olodumare.



Louvamos nossso sacerdotes do Povo Yoruba, nossos sacerdotes elogiam os seus Orisas e consequentemente os Orisas elogiam Olodumare. Somos e estamos interligados. Sendo assim somos essencialmente diferentes na nossa relação de cultuadores em comparação aos cultos dos cristãos com seu Deus. Nosso modo de cultuar não é comparável por sermos nem menos ou nem melhores que os cristãos. A exigência cristã de "fé" em Deus não tem significado em termos na Religião Tradicional Yoruba. Um Yoruba nunca diz "Eu não acredito em Deus". Existir já pressupõe estar em comunhão com os Orisas. Nenhuma dúvida deve haver. Não é preciso acreditar naquilo que já é inerente ao estar vivo.


O relacionamento entre um Yoruba e seu orisa é expressamente complexo. Uma pessoa que é Olorisa (Orisa Worshiper/ Cultuador/adorador de Orisa), aquela pessoa que tem Orisa, aquele que está com o Orisa, é aquele que faz Orisa. A maioria de nós, povo yoruba, herdamos nosso(s) Orisa(s). E sabemos muito bem que não devemos falhar em nossos cultos e fazer isso é um risco que pode nos levar à desordens perigosas, danosas e ninguém vai ousar fazer isso. Evitamos estes riscos e sintomas decorrentes e que poderiam ser doença ou morte na família, falha no negócio e assim por diante. Essas desgraças não são punições porque os Orisas estão bravos. Mas quando alguém herdou um Orisa dos seus ancestrais e decidiu agir com negligência com eles, apostou em colocar as coisas fora de ritmo. Uma consulta oracular pode reorientar tudo e a vida pode funcionar novamente corretamente, com a relação certa sendo restabelecida.



Estar com o Orisa é uma tradução igualmente correta da palavra Olorisa. O cultuador oferece o seu corpo como um veículo para o Orisa comunicar algo importante, ele permite que o Orisa "monte a cabeça", e ele se esforça para se tornar, por breves momentos, a personificação do Orisa. Chamamos Elegun, os que incorporam um Orisa. Fazer Orisa é uma expressão que significa estabelecer a interdependência entre orisa e aquele que cultua o Orisa. Os Orisas não podem existir para o homem sem o Olorisa através do qual ele pode se manifestar. Os Orisas devem ser fortalecidos através das atividades rituais dos Olorisas.




A função do ritual é em parte aumentar a força do Orisa, para fazê-lo mais forte ainda. Quanto mais sua força for ampliada, mais força ele poderá retornar à comunidade de cultuadores daquele Orisa. A maneira mais simples e mais comum de fortalecer os Orisas é quando Evocamos/ invocamos com inúmeros Orikis, nossas fórmulas poéticas com as quais os orisas são abordados, saudados, identificados, fortalecidos na relação com seus cultuadores. E as consultas oraculares colaboram para esta integração entre orisas seus cultuadores.


A função do ritual é em parte aumentar a força do Orisa, para fazê-lo mais forte ainda. Quanto mais sua força for ampliada, mais força ele poderá retornar à comunidade de cultuadores daquele Orisa. A maneira mais simples e mais comum de fortalecer os Orisas é quando Evocamos/ invocamos com inúmeros Orikis, nossas fórmulas poéticas com as quais os orisas são abordados, saudados, identificados, fortalecidos na relação com seus cultuadores. E as consultas oraculares colaboram para esta integração entre orisas seus cultuadores.

A Orisa Osun, a água e o trabalho feminino no Projeto de  Criação do Mundo para o Povo Yoruba

                                                                                                           Faseyi Dada


                Cumprimento a todos aqui hoje e especialmente as mulheres. Entramos no mês de março e logo chegará o Dia Internacional da Mulher. meu nome é Faseyi Dada, sou da Nigéria, nasci no estado de Osun, na cidade de Ile Ife. Sou Sacerdote Yoruba, Ojele do Obatala Holytemple, nosso Templo de Obatala em Ile Ife. Escrevo neste momento sobre alguns aspectos da história da criação do mundo para o meu Povo Yoruba. Vou tocar em um assunto ligado ao tema "Do tudo água à água necessária para viver. Irunmole Osun, a água e a Prosperidade". E vivam as mulheres! Desde já, tenham todas um dia 08 de março maravilhoso!



Nesta escrita tratarei de algo muito precioso para toda a humanidade: a Água! Estou feliz por tratar um pouco sobre um tema tão essencial. A água é importante para nós, humanos. E também carrega muitos benefícios paras nossas vidas. E trago a minha homenagem às mulheres! No Brasil e em muitas partes do mundo o dia 08 de março é dedicado a refletir sobre o papel da mulher na sociedade. Deixo aqui minhas felicitações para todas as mulheres neste dia internacional da mulher. E deixo o meu conselho aos homens: Vamos envolver as mulheres em todas as deliberações! Vamos respeitar todas as mulheres! Todos nós nascemos por mulheres, antes de nos tornarmos reconhecidos como os adultos que somos hoje. Assim aprendi com meus ancestrais e com a minha Tradição Religiosa Yoruba.




Nós, Yorubas, consideramos Olodumare (assim chamamos Deus) como agente principal da criação, Olodumare chamou Obatala para trazer terra para este mundo aqui em que vivemos. Isso que pisamos hoje e chamamos terra não existia antes. E nem era possível ainda usar o elemento terra para tantos fins. Obatala desceu do Orun/Morada de Olodumare, de cima, em uma corrente longa feita de ferro. Olodumare queria que Obatala trabalhasse para o mundo ser habitável. E isso representava um longo e duro trabalho. Mas este mundo aqui estava repleto de água. Olodumare deu a Obatala alguns materiais para criar o mundo e Obatala desceu para este mundo em que habitamos hoje e para fazer o trabalho designado por Olodumare (Deus). Obatala fez seu trabalho e voltou para conversar com Olodumaré. Olodumaré aprovou a 1.ª etapa. Olodumare tomou a decisão de enviar 17 irunmoles (Orisas) para irem ao novo mundo em construção e começarem a fazer muitas coisas por lá. Somente uma Orisa (feminino) acompanhava o grupo.



Na foto acima é possível visualizar o Rio Osun, localizado na cidade de Osogbo, bem perto da minha cidade Ile Ife. Este rio considerado como sagrado para nosso povo yoruba. É lugar sagrado para cultuar a Orisa Osun na Nigéria. Em agosto acontece lá neste bosque um dos maiores festivais da nossa Religião Tradicional Yoruba. O Rio Osun atravessa floresta, pacífico e bonito, refletindo a natureza sagrada. Se as coisas estão quentes usamos água para torná-las frescas. Osun deve ser sempre louvada. Não podemos fazer nada sem adorá-la. Com Osun nenhum mal pode nos acontecer. E os homens nunca podem esquecer: No que fazemos, se não incluímos as mulheres, não poderemos ter sucesso! A Orisa Osun, Aquela que tem folhas de palmeiras frescas, a grande mulher poderosa que não pode ser atacada.




A Orisa Osun é uma dos irunmoles/Orisas principais que receberam poder divino. Osun recebeu Ase, comando e sabedoria ofertada por Olodumare (Deus), para descer à Terra para preparar e tornar a vida doce para toda a humanidade. Ela é adorada entre o Povo Yoruba e em muitos outros países (no Brasil é bastante cultuada), sendo a imagem do cuidado, doadora de crianças. Osun (escrita "Oxum" no Brasil) traz a felicidade e harmonia para a casa do Povo Yoruba. Conhecida por sua grande beleza e habilidade em jogar búzios. Os Odus Ifa estão cheios de versículos sobre os poderes de Osun, tanto como mãe e também como uma força poderosa de energia feminina, ou, ASE. Quando fazemos oferendas usamos água. Orisa Osun usa água com ervas para curar as pessoas. E podemos recorrer ao socorro dela usando a água como um elemento nas nossas oferendas.



Pode-se até dizer que Osun foi a primeira feminista, exigindo o reconhecimento e o respeito igual ao irunmoles masculinos como podemos ver nos relatos de versos do Odu Ifa. Olodumare deu diversos poderes de direção divina aos Irunmoles (Ase) para virem e governarem o mundo abaixo do céu. Dos 17 irunmoles, apenas uma mulher estava entre eles, que é Osun. No plano de Olodumare não estava inscrito a supremacia de orisas masculinos sob as orisas femininas. Ainda hoje o tema da igualdade e equidade de gênero é bastante discutida no Brasil e em outros países do mundo.


Como estes irunmoles tinham bastante Ase receberam tarefas muito importantes para governar a Terra, eles acreditavam ser como deuses, e cada um se esforçou para mostrar o quanto eram poderosos. Eles desceram para a Terra tinham todos as tarefas em mãos para colocar ordem na mundo e para que os seres humanos prosperassem. Os Irumoles/Orisas fizeram reuniões importantes, fizeram planos, explicitaram seus projetos...mas nunca informaram ou convidaram Osun para as suas reuniões. Eles viraram as costas para ela e julgavam que ela não tinha nenhum significado, agiam como se ela fosse tivesse um papel menor e sem grande importância no projeto de criação. Então o que ela poderia possivelmente contribuir? Em nada?


Osun ficou irritada e decidiu ensinar-lhes uma dura lição. Eles tentaram o seu melhor para conseguir progressos em suas decisões, mas as coisas começaram a falhar. Todas as belas colheitas para alimentar o homem começaram a murchar e morrer. Os córregos começaram a secar e, em seguida, cessaram completamente. As mulheres já não podiam ter filhos. Aqueles que nasceram morreram logo depois de tomar sua primeira respiração. Os animais estavam morrendo, as lavouras foram secando, as pessoas estavam definhando, sem chuva também.
Os irunmoles machos tinham perdido algumas coisas. Eles tiveram que apresentar um relatório para Olodumare no céu e eles foram diante d'Ele para admitirem os seus coletivos fracassos completos e absolutos em nutrir a terra.

Olodumare disse então: E o que eu fiz em enviar 17 de vocês para a terra? Onde está Osun? Lembram que eu mandei Osun com vocês para a terra? A irunmole Osun disse então para Olodumaré que tinha sido excluída das reuniões e não tinha sido permitido que ela tomasse parte no governo da terra. Olodumare disse-lhes que tinham cometido um erro em não ter incluindo a Orisa Osun em seus planos para a terra. Olodumare fez com que ficassem cientes que Osun, o feminino, não só era digno de respeito, mas também era poderosa ou até mais poderosa do que eles. Olodumare esclareceu que a Orisa Osun tem o poder de manter a vida.Depois de tudo bem esclarecido, Olodumaré pediu a Osun para corrigir a bagunça que eles tinham feito de terra, ela abençoou com chuva e voltou a chover muito e as plantações começaram a crescer novamente, o solo vermelho começou a brotar com vegetação e novos animais foram nascendo e logo as mulheres ficaram grávidas e seus filhos nasciam e viviam abundantemente.


Os irunmoles masculinos entenderam que sem a força feminina, e sem respeito e honra do Feminino, toda a vida irá falhar. O feminino e a água são muito importantes em nossas vidas. Devemos sempre respeitar a água e tudo o que queremos fazer, devemos usar água. Se as coisas são quentes, use água para torná-los apropriadas e quando fazemos oferendas usamos a água. Osun usa água para preparar ervas para curar as pessoas, A Orisa Yemoja usa a água para alterar a vida das pessoas. A Orisa Olokun usa a água para a riqueza. Olodumare usou água para criar esta terra antes da presença humana e animal.
Um provérbio yoruba expressa bem isso: Omi labu we/ Água é para tomar banho Omi la bu mu/ Água É para beber aki ba omi se ota/ Nós não podemos dizer que a água é nossa inimiga!

Oráculos do Povo Yoruba: Conheça melhor!

                                                                     Faseyi Dada


         Já estamos no Brasil desde 2014. E aqui aprendemos a língua portuguesa para trazer aos brasileiros os oráculos do meu povo yoruba e um conjunto extenso de produtos produzidos com ervas da Nigéria. para infinitos fins. Estas inúmeras consultas que fizemos aos brasileiros reafirmam a potência dos ensinamentos dos meus ancestrais para público brasileiro em geral.

O essencial na formação de uma criança ou jovem yoruba para fazer consultas aos oráculos é a "verdade". Agir com a a verdade é o fator mais importante. Sendo verdadeiro sempre é uma lição essencial yoruba! Oferendas aos nossos Orisas e orações permanecem/são eficazes/funcionam diante de uma condução verdadeira. Quando você faz oferenda e/ou oração recomendada por um sacerdote yoruba em uma consulta oracular yoruba deve agir com uma mente guiada pela verdade, a sua oração será respondida por Deus (Olodumare) e pelos Orisas. Os Orisas não costumam responder as orações de mentirosos e traidores.

Temos duas formas muito populares e antigas de consulta oracular yoruba; Elas são Ifa Dida e Erindilogun. Erindilogun são os dezesseis búzios, que são muito popular no Brasil. Porém, isso não significa que jogamos de forma similar aos usos dos dezesseis búzios nas Religiões Afrobrasileiras. Atualmente, Ifa Dida é um oráculo de Ifa/Orunmila que também está crescendo no Brasil (feito com o Opele).

Quando você consultar com ifa ou Erindilogun, um odu (sinal) vai trazer uma mensagem para você, essa mensagem é importante para solucionar os problemas ou assuntos que você quer esclarecer com a consulta oracular yoruba. O sacerdote yoruba vai lhe dizer para fazer oferendas e orações correspondentes aquele Odu. Assim o Odu que surgiu na consulta trará uma solução para a questão ou problema trazidos ao jogo. Essa é a herança que nos deixaram os nossos antepassados sacerdotes yorubas, nossos ancestrais nigerianos.

Dentro do nosso Corpus Oracular Oral reside um sistema que é a alma e o coração do povo Yoruba como um todo. Os Odus representam a totalidade da ciência, cosmologia, medicina e sabedoria realizada dentro do solo sagrado yoruba ao longo de muitos séculos. Nossos Oráculos encarnam a sabedoria de vida, de verdade, a revelação do destino e o própio destino. É nosso corpo vivo de sabedoria transmitida por Olodumare, dada aos Orisas e em especial à Orunmila, o primeiro sacerdote e o único que é testemunha de nosso destino no mundo espiritual quando estamos prontos para nascer.

Um Sacerdote Yoruba precisa ter sabedoria para curar e resolver os problemas humanos. Estes saberes essenciais foram repassados para a formação dos sacerdotes que vieram a ser conhecidos como Babalawo/ Babalorisa, Sacerdotes de Ifa e Sacerdotes e Sacerdotisas de diverso(a)s Orisas, que são os professores das novas gerações e conhecem os saberes contidos e repassados de forma oral. Tais sabedorias são conhecimentos para nos ajudar a alcançar nosso destino perfeito.

Odus são similares aos ventres que cada um de nós ocupou e trouxe à vida juntamente com nosso caminho único ou o caminho que constitui todas as possibilidades inerentes à vida. Os odus são seus versos, são roteiros que podem guiar inúmeros detalhes da vida de todos os seres vivos. Nós, Povo Yoruba, prezamos: vida longa, saúde, família, crianças, amor, prosperidade, boa posição na vida, a liberdade, a vitória sobre a doença e a morte.

Nosso trabalho de orientação nas consultas oferecidas ao público brasileiro, aqui em São Paulo, já é uma história muito bem sucedida. Estamos aqui na Região da Av. Paulista desde 2014. O nosso corpo de conhecimento divinatório da Tradição Religiosa Yoruba é apresentada e ensinada por nossos familiares, na Nigéria, ainda na infância. São longas horas de memorização dos nossos oráculos. Imaginem guardar na cabeça tantas lições e ajustá-las aos sentimentos trazidos por pessoas de diversas atuações sociais, origens étnicas, profissões e trazendo distintos problemas nas horas diversas de consultas oraculares ao longo destes 4 anos.

Dentro de cada Odu existem centenas de eses/versos ou poemas, que descrevem em detalhes um determinado consulente que se aproximou de um sacerdote yoruba motivado a resolver algo que vem incomodando sua vida. Esta pessoa poderia ser uma mulher desesperadamente querendo uma criança, poderia ser um devedor com a necessidade de livrar-se de credores que não vai deixá-lo dormir, poderia ser uma videira comum querendo subir acima do resto da floresta e reivindicar seu lugar no sol. Todos eles com problemas semelhantes aos que recaem sobre o resto da humanidade. Seja no Brasil ou na Nigéria.

Os Odus com seus versos falam através de parábolas. E servem para nos aconselhar sobre as forças negativas da vida, tudo aquilo que atormenta todos nós em um momento ou outro. Estes problemas são perda em geral, dificuldades econômicas (Problemas com dinheiro), doença diversas, obstáculos de todo tipo imaginável, perigo de morte iminente, etc.

O Oráculo yoruba é sábio e sempre entende suas palavras, emoções, pensamentos, conflitos e até a sua dificuldade de expressar o que sente aos sacerdotes yoruba na hora da sua consulta oracular. O Sacerdote Yoruba é alguém que levou anos aprendendo odus e versos, entendendo sobre as chaves perfeitas para atender e resolver os problemas das pessoas que decidem ouvir aqueless oráculos. Dali da consulta serão apresentadas as soluções mais adequadas. O Sacerdote Yoruba faz prescrições de oferendas, invocações e orações aos orisas. Assim as oferendas, orações e aconselhamentos deverão ser utilizados e realizados para trazer harmonia na vida daquele pessoa que foi fazer a consulta. Uma dificuldade dos que nunca fizeram consulta com um sacerdote yoruba pode ser entender que fazer a consulta já é o suficiente para tudo ficar melhor ou que ali descobrirá que nasceu tão vitorioso que nada deve fazer para mover do sagrado as melhores soluções para problemas. Seria uma dificuldade de entender que os Orisas precisam receber orações, oferendas e serem lembrados com mais carinho?

Outro aspecto importante é entender que ninguém fez-se sacerdote yoruba em três dias, nem em 365 dias e muitos menos somente com o seu desejo de ser sacerdote yoruba. A longa aprendizagem começa por volta dos seis/sete anos. Pelo menos assim aconteceu na casa do meu pai em Ile Ife. Muitos sacerdotes da tradição yoruba aprendem inicialmente com seus pais. Assim foi comigo e meus irmãos.

Muitos ainda viajam de cidade em cidade para aprender novos Odus com competentes sacerdotes yoruba. Alguns jovens aprendizes de sacerdotes da tradição yoruba podem até ficar por alguns anos como um estudante, morando com seu sacerdote, a fim de aprender mais e antes de voltar para a sua casa. É comum o jovem sacerdote ficar com um Onisegun, para aprender mais de Ewe Oogun (prática e manipulação de destino com plantas medicinais), ou um ancião cuja memória e experiência ultrapassam de longe qualquer um de seus jovens aprendizes em sacerdócio yoruba. Nunca substime um sacerdote yoruba por lhe parecer ainda jovem!

Quem é Obatala? E saiba sobre o nosso Festival de Obatala de Ile Ife

Quem é Obatala? E saiba sobre o nosso Festival de  Obatala de Ile Ife

                                                                      Faseyi Dada
         Sou Faseyi Dada. Sou Ojele do Obatala Holytemple/Templ de Orisa Obatala de Ile Ife e moro no Brasil desde 2014. Você sabe quem é Obatala. Obatala foi a primeira criatura criada por Olodumare/DEUS e que testemunhou a criação de todas as outras criaturas. Olodumare deu a Obatala duas bolsas: 1) "apo iwa" (sacola de caráter) e 2)"yeepe iwa orun" (sacola da areia sagrada do caráter celestial). E Olodumare deu para Obatala uma corrente e uma galinha de cinco dedos. Todo este conjunto de materiais serviriam para criar o mundo/TERRA e seus habitantes.
Obalesun de Obatala Holytemple de Ile Ife
                               
                No segundo saco continha ASE/AXÊ. Obatala é o possuidor do ASE dado por Olodumare. Orisa Obatala é conhecido como dono da autoridade. Tinha dentro do segundo saco todos os instrumentos usados por Obatala para criar a terra, que estava ainda cheia de água.  Orisa Obatala é um homem idoso e ele gosta de caminhar com sua bengala (Opa Oje) feita de bronze. Obatala simboliza integridade harmônica, unidade e paz. Obatala é conhecido como a divindade suprema entre todos os demais Orisas.  Olodumare delegou à obatala o sério trabalho de determinar os detalhes físicos de cada ser humano, antes de inspirar o sopro da vida em cada um deles.       
Obas de Obatala Holytemple

            Todos os anos em janeiro, acontece o nosso Festival Anual e Mundial de Obatala, em Ile Ife, Nigéria. Um dos momentos iniciais do nosso festival de Obatala, em dezembro, é a o anúncio do início do festival, realizado no Palácio do Ooni de Ife. O Ooni de Ile Ife é o sucessor de Oduduwa, Rei de Ile Ife. Com a abertura oficial do Festival de Obatala, os dias seguintes são intensos de alegria, esperança, oração, oferendas e encontros felizes para os que cultuam, ou são iniciados em Obatala em Ile Ife e os participantes do festival, vindos de outras cidades nigerianas e de outros países. Interessados em viver esta experiência podem fazer contato conosco!
Festival de Obatala de Ile Ife
           
         Em um dia muito especial do nosso festival de Obatala de Ile Ife, os sacerdotes de Obatala, Os Obas de Obatala Holytemple, demais iniciados e convidades de diversas cidades nigerianas e de outros países vão para o Obatala Holytemple. E os Obas preparam água com ervas para lavar/purificar as estatuetas de Obatala e sua mulher Yemoo, que já foram trazidas do Museu localizado no Palácio do Ooni e que fica perto de nosso Templo de Obatala de Ife. É um momento de muita fé, oração e alegria por cultuar Obatala e Yemoo, sua mulher e inseparável companheira, tão pouco conhecida nos países da Diáspora africana e que cultuam Orisa.
Festival de Obatala de Ife
              Depois desta lavagem das estatuetas de Obatala e Yemoo é chegada a hora dos Obas/Principais sacerdotes do Obatala Holytemple usarem a mesma água com ervas para passar nas mãos dos presentes e estes levam as mãos ao ORI/cabeçaa. Diversas pessoas iniciadas em Obatala viajam para Ile Ife. São yorubas, iniciados em Obatala e que visitam Ile Ife e participam dos diversos eventos do Festival. E são estrangeiros iniciados em nossa tradição religiosa yoruba e vindos dos Estados Unidos, Brasil, Trinidad Tobago e outros países. Há ainda a presença de iniciados nas religiões afrobrasileiras.

Festival de Obatala de Ile Ife
            Eles comparecem para cultuar Obatala no nosso anual Festival. Alguns visitantes são iniciados nas Religiões abrobrasileiras e sabem das distinções entre as nossas práticas religiosas e aquelas praticadas por eles em seus países. Viajam de seus países para participar do Festival  e para fazer visitas aos outros Templos dedicados aos outros Orisas e conhecer os festivais de Ile Ife, a 1.ª morada dos Orisas na experiência terrestre.
Meu Pai, Obalesun de Obatala Holytemple
             Seus cultos aos Orisas na diáspora africana são bem distintos dos nossos modos de cultuar. São, porém, extremamente bem vindos! Separadas as diferenças de culto, não discriminamos nenhuma outra religião. E alimentamos profundo respeito aos que cultuam Orisas nos países da diáspora africana, pela grande obra de manter o culto de Orisas no Brasil e outros países da América do Sul: Uruguay, Paraguay, Argentina e outros países. Assim ficamos mais próximos e esclarecemos as nossas distinções e o nosso semelhante amor aos Orisas. No vídeo abaixo é possível visualizar um dos momentos mais importantes. Acontece no Grove/Bosque de Obatala de Ile Ife.
           
               Espero ter contribuído no entendimento de nosso Orisa Obatala e divulgado o nosso Festival anual de Obatala de Ile Ife. Obatala abenções todos! Ase ooo! Faseyi Dada, Ojele do Templo de Obatala. 

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